Amor recíproco

Texto bíblico: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:35.

Introdução

A bíblia possui 25 reciprocidades, que é a forma como devemos nos relacionar uns com os outros.

Está claro no contexto deste versículo que Jesus está falando do amor que deve haver entre os cristãos, afinal Ele está falando em particular com seus discípulos.

Os gregos usavam palavras diferentes para descrever o fenômeno do amor:

  1. Éros: palavra que deriva o amor erótico, entre um homem e uma mulher;
  2. Storgé: afeição familiar, com pais, filhos, irmãos, primos etc.
  3. Philos: fraternidade, amor recíproco, condicionado;
  4. Agapé: amor incondicional, que não exige nada em troca e não leva em conta o comportamento dos outros. É o amor que se traduz pelo comportamento e pela escolha deliberada, não pelo sentimento.

Mas, que tipo de amor é esse?

Texto original: [JO 13,35] EN TOUTÔ GNÔSONTAI PANTES OTI EMOI MATHÊTAI ESTE EAN AGAPÊN EKHÊTE EN ALLÊLOIS.

No texto original, vemos que Jesus está falando do amor Ágape. É o amor da decisão, que depende da livre escolha, determinação e princípios, e não de sentimentos ou condições. É o amor de Deus.

Temos uma visão romântica de amor, que é totalmente equivocada. No casamento, têm dia que estamos apaixonados e tem dia que não estamos apaixonados. Na maior parte do tempo, não estamos apaixonados, mas, nos mantemos casados pelo amor que sabemos que existe baseados na nossa decisão de amar, independente das circunstâncias.

Todas as vezes que Jesus usou a palavra amor, se referiu ao amor Ágape (incondicional). O amor determinado, da escolha, não do sentimento.

  • Jesus não queria dizer que nós devemos fazer de conta que amamos para nos sentir bem a respeito das pessoas. Jesus não gostava de hipocrisia.
  • Jesus queria dizer que devemos nos comportar bem em relação à elas. O amor Ágape não deseja o mal (I Coríntios 13).

A pergunta é: Como é esse amor? Quais são suas qualidades?

Para entendermos isso, vamos nos ater na história bíblica que o versículo está inserido.

Essa história começa no cenáculo. É o lugar que Jesus designou para os discípulos prepararem a Ceia da Páscoa. Sabemos pelos evangelhos sinópticos que Jesus ceou com seus discípulos, despedindo Judas para fazer o que estava em seu coração. Depois, cantaram um hino e saíram para o Monte das Oliveiras.

O evangelho de João, no entanto, recheia essa história com alguns detalhes e é deles que vamos extrair três características deste amor Ágape, que deve nortear a vida dos discípulos.

  • Serviço

Jesus se abaixa, pega uma toalha e uma bacia com água e começa a lavar os pés dos discípulos. Como está o ânimo de alguém que sabe que está prestes a ser morto (Lucas 24)?

No texto de 2 Pedro 3:18, diz “Antes crescei na graça e no conhecimento que há em Cristo Jesus, nosso Senhor”. No contexto dessa passagem, os cristãos de Roma estão sob ataque e perseguição de Nero. E Pedro vai falar de crescer na graça por meio de: respeito às autoridades, amor conjugal, trato com os filhos, responsabilidades civis. Fica evidente que na vida cristã não devemos deixar nosso dever de servir, mesmo sob as mais ferrenhas situações.

Amar é servir! Servir é ter atitudes! Deus amou o mundo e não ficou apenas em suas palavras. Ele teve a atitude de dar Seu Filho (João 3:16). Em outra passagem, vemos que Jesus encontra-se com Pedro no mar de Tiberíades e pergunta se Pedro o ama: a declaração positiva de Pedro é respondida por Jesus com uma cobrança de atitude: apascenta as minhas ovelhas; Para Deus, quem ama deve servir!

O grande problema do serviço é que ele é visto como algo menor do que ele realmente é. Mas, dentro da visão bíblica, aquele que serve é o maior no Reino dos Céus. Servir não é próprio da natureza humana. A grande maioria das pessoas quer crescer na vida, ser promovida, ser honrada e conquistar poder e status. Os discípulos disputavam quem seria o maior no reino dos céus. No livro dos profetas, Jesus é chamado de “o servo do Senhor”.

Têm pessoas que almejam posições na igreja porque têm uma visão deturpada, vêm a posição de elevação como algo que as fazem melhores do que os demais. Tem pessoas que querem ser vistas e ser servidas. Mas, biblicamente e praticamente, aqueles que estão acima são, via de regra, são aqueles que mais servem. João Batista disse: que Ele cresça e eu diminua.

Todo pastor tem em sua essência um diácono dentro dele. Eu nunca servi tanto as pessoas como agora, que estou no pastorado. Porque servindo em outras posições, você só tem a preocupação de uma pequena parte da igreja, mas, no pastorado, você serve a todos.

Quem não vive para servir, não serve para viver. Abraham Lincoln.

  • Sinceridade (oposto de amor por interesse)

O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Romanos 12:9.

Judas foi o grande traidor dessa história, porque não amava Jesus com sinceridade. Ele gostava dos benefícios que a amizade de Jesus lhe trazia. Quando Judas percebeu que Jesus jamais expulsaria os romanos, ele começou a pensar no bem que aquelas 30 moedas lhe proporcionaria. E não conseguimos amar o nosso irmão em sinceridade, precisamos avaliar as causa que está em nosso coração, servindo de impedimento para isso. A causa pode estar num coração endurecido. Precisamos de um coração de carne.

  • Sofrimento

Essa parte envolve o relacionamento de Pedro com Jesus. Ele está disposto a morrer por Jesus, mas, não tem o desejo de sofrer por Ele. Quando vê os maus tratos que estão dispensando a Jesus, sente medo. Por isso, quando alguém o reconhece como “sendo um deles”, ele O nega.

A questão, então, é: O quanto estamos dispostos a sofrer por escolha? Por nossos irmãos?

Conclusão

a)   Deus é amor (1 João 4:16).

o   Deus não nos ama por sentimento e sim por determinação, por escolha. Já pensou se o amor de Deus fosse baseado no sentimento? Muito provavelmente Ele não nos amaria mais ou nem começaria a nos amar.

  • A gente já decepcionou tanto a Deus, apesar disso, ele continua insistindo no nosso relacionamento.
  • A gente mesmo pensa conosco: Se a gente fosse Deus, já teríamos desistido de nós. Tem dia quem nem a gente mesmo se aguenta.
  • Não é todo dia que as nossas ações despertam em Deus sentimentos dignos do seu amor. Apesar disso, Ele nos ama (Quem nos separará do amor de Cristo? Romanos 8:35.

b)   Deus comunicou seu amor conosco para “amarmos”.

Atributo comunicável: Deus transferiu para nós o amor. Temos a responsabilidade! Tudo o que nos é dado vem acompanhado de uma ou mais responsabilidades. Ex.: Ganhar um carro proporciona mobilidade (liberdade), mas veja as responsabilidades: respeitar as leis, zelar pela manutenção do carro, dirigir com cuidado para preservar a vida, pagar impostos do carro (evitar capivara de multas).

Quando Deus te deu o amor que estava nele, te deu também a responsabilidade de repassar esse amor ao próximo como a ti mesmo.

Falando aos Coríntios, Paulo comenta sobre os três pilares da vida cristã (a fé, a esperança e o amor), enfatizando que o maior deles é o amor. (1 Coríntios 13:13). Ah, mas e seu falar a língua dos homens e dos anjos? Se não tiver amor é como nada. Só faz barulho e não tem utilidade.

c)    Amor é compromisso!

Compromisso, infelizmente, não é uma palavra popular nos dias de hoje: Se a sociedade não quer o bebê, aborta, se não quer o cônjuge, separa, se não quer o vovô, leva para o asilo, se não quer obedecer aos pais, foge de casa, se não quer aquela igreja, vamos para outra igreja etc. Lá na minha igreja, Deus falou comigo. Estou lá até hoje. É difícil viver com compromisso numa sociedade aonde tudo e todos são descartáveis.

Eu me lembro daquela história sobre missão “da galinha e do porco”. Ela entrava com o ovo e ele com o toucinho, para fazerem uma omelete.

Que Deus abençoe!!